Meu professor de Arte

Sherrod and I

Sherrod and I

Não tem como falar da minha trajetória sem mencionar meu grande mestre de Arte e, por tabela, da vida.

Depois de escolher estudar na ASL (Art Students League), tive que escolher sob orientação de qual professor. Eu não sabia o histórico de nenhum instrutor da Liga, então me ative a escolher por estética. De cara gostei do trabalho do Phillip Sherrod. Muito colorido, muito livre, muito expressivo. Haviam poucos instrutores no perfil que eu buscava, se é que eu sabia o que estava procurando; a única coisa que eu tinha certeza era que gostaria de fugir do acadêmico.

Entrei em sua sala sem fazer ideia do que me esperava. Um tanto desorientada, fui perguntar sobre uma “lista de material”. Que pergunta estúpida! Pelo menos foi o que me pareceu perante o olhar perplexo de meu novo mestre. Percebi que cada aluno trabalhava com um material diferente do outro. Tinha até mesmo um homem que fazia desenhos bem infantis, com canetinha escolar. Acho que ele saiu de um hospício, sério mesmo!

Optei por tinta acrílica e logo na minha primeira dúvida sobre o material, Sherrod grosseiramente me disse que não estava ali para tirar esse tipo de dúvida. Isso eu encontraria em livros ou poderia perguntar a algum colega de aula. Acho que não preciso mencionar que a maioria dos alunos não dura dois meses sob sua orientação, mas os poucos que perduram, se tornam grandes artistas. Lembro de uma menina que saiu chorando depois que ele perguntou se ela raspava a perereca. RSRSRSRS! Olha, era exatamente esse tipo de pergunta que ele fazia. Acho que dei sorte porque cheguei com meu inglês bem enferrujado e por muitas vezes nem entendia o que ele falava. Isso permitiu que eu ficasse em sua sala por tempo suficiente para me afeiçoar por esse senhor aparentemente desmiolado.

Certo dia ele me fez chorar durante a aula e eu fiquei furiosa e questionei porque ele fazia isso. No mesmo instante ele levantou seus óculos e mostrou uma lágrima que se formava em seus olhos dizendo “Você acha que gosto disso? Se eu não deixá-la mais forte, o mundo lá fora vai te devorar!”

Muita gente não entendia seus métodos. Nesse dia eu compreendi que nunca estaria preparada para o mundo cruel das artes, onde cada crítica a um trabalho nosso é um ataque ao nosso ego, se ele não tivesse me fortalecido. Aprendi a ser confiante no meu trabalho e a não deixar que as críticas me derrubassem.

E foi sob sua orientação que em apenas um ano fui premiada num concurso internacional organizado pela Agora Gallery, sediada no SOHO. Onde expus por 3 anos consecutivos.

Meu querido professor tem trabalhos em diversos museus, entre eles o Museu de Nova Iorque. Vale a pena conferir o suas obras! E fica bem claro a influência que gerou no meu trabalho.

Sempre que visito, ele faz uma tela minha. Esta é a mais recente.

Sempre que visito, ele faz uma tela minha. Esta é a mais recente.

Depois dessa última visita, tomei uma bronca tão grande por ter abandonado a pintura que imediatamente ao voltar para o Brasil, resolvi que voltaria a pintar.

Para sempre grata.

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