Da escuridão Londrina ao templo de Luz Clara

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Na trajetória da Fer você acompanha uma montanha russa de eventos que foram essenciais para construir o trabalho que apresento atualmente. O que venho compartilhar hoje é um pouquinho da fase abençoada do período de residência no Templo Budista Odsal Ling, o templo da Luz Clara.

Após um período muito difícil que foram os anos que morei em Londres, voltei ao Brasil severamente deprimida, em fase de recuperação emocional pelo divórcio e em recuperação física pelo uso excessivo de álcool e aditivos. Era praticamente um zumbi punk, com cabelo raspado, mini saia, coturno e maquiagem pesada. A fase se estendeu por mais um ano e pouco numa descompressão em São Paulo, onde o álcool ainda estava muito presente na tentativa de nocautear a mente depressiva do pós divórcio.

Mesmo tendo uma busca espiritual intensa desde pequena, quando me casei isso foi se perdendo e quando me dei conta, me encontrava num abismo negro que me levou a pensar com uma tristeza profunda que eu só queria voltar a ter fé. Tenho uma visão romântica onde nesse momento uma sirene tocou no céu e os anjos desceram para me resgatar. Não foi fácil, tive resistência, não enxergava com clareza e num ato triunfal me apresentaram o caminho budista.

Comecei a servir como voluntária e não fazia a menor ideia do que era a prática budista efetivamente falando. Ainda assim, sentia um conforto muito grande no templo e uma atração intensa pelas palavras doces, e ao mesmo tempo fortes, da minha querida Lama Tsering. Sua voz me hipnotizava. Um belo dia ela me convidou para morar no templo em Cotia e trabalhar como voluntária na pintura. Eu não tinha nada a perder, minha vida estava sem sentido e isso me pareceu um chamado divino! Sem hesitação, aceitei o convite.

Tenho que dizer que apesar de intenso e muito difícil, foi um dos períodos mais lindos e abençoados da minha vida! Tive que ter muita disciplina, abrir mão de muitas crenças e hábitos, mas foi tudo com uma grande recompensa. Digo isso não apenas pelo lado espiritual, mas também pelo lado artístico. Entrei no templo com a arrogância de quem estudou em Nova Iorque, achando que ia trabalhar numa pintura artesanal e nada criativa, para me descobrir encantada com a maestria do meu professor tibetano, Ogen Shak. Sua técnica e habilidade, especialmente na escolha inusitada de cores, me cativaram! Pude aprender uma técnica muito diferente da que estava habituada e que influenciou intensamente no meu trabalho depois.

Só tenho a agradecer! Possam todos os seres serem beneficiados.

Deixo vocês com um trecho do documentário que meu amigo querido James Lloyd está finalizando sobre o trabalho e a consagração do templo Odsal Ling. Justamente o período que servi como voluntária residente.

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